Qualidade de vida através do trabalho não é regra, é oportunidade

A vida no campo não é mais a mesma de anos atrás. Muito tem mudado ao mesmo passo da economia nacional, e o outro tanto, por uma nova visão do agronegócio, políticas públicas específicas e qualidade de vida aliada à permanência no interior.

O êxodo rural, tão preocupante há décadas, foi gerador de políticas para a permanência no campo evitando o latifúndio e a baixa produção de matéria prima, problemas que despontariam em breve como déficit em cadeia segundo estimativas. Na prática, a produção se manteve independente do êxodo e sempre haverá, já que de uma forma ou de outra, jamais a terra mecanizada deixará de ser utilizada.

Preocupante é o fato do que a terra apta está produzindo. Na região Norte, onde minha família reside e como fato generalista a qualquer região, o interesse sempre foi a soja. Desde a época em que se plantava de semeadura manual e se colhia de foice este produto de venda fácil rendia bons lucros aos produtores; mas isso tem deixado de ser gradativamente.

Plantar e colher soja em pequenas propriedades, a cada dia tem se tornado mais inviável devido ao acompanhamento de solo necessário (é preciso repor constantemente os nutrientes que foram explorados desse os tempos da terra virgem), aos preços de insumo agrícolas no geral, destemperos do clima, investimentos em máquinas e tecnologia, e que no final das contas põe os camponeses à mercê das mesmas variações de mercado que os grandes produtores e suas largas safras.

Percebendo isso, governantes e produtores guinaram - com algumas resistências por parte dos últimos orientados por tantos anos a praticarem a monocultura - à outras culturas de investimento baixo, mais rentáveis e com incentivos fiscais às produções das pequenas propriedades. Encurtando o caminho entre produtores e consumidores o foco não é mais na matéria prima, mas sim no produto semi-industrializado, aliado à oferta direta e criação de conceito por meio do turismo rural, que incentiva o consumo.

O que acontece de forma geral na policultura das famílias do campo é que em áreas de até 10 hectares cria-se, reinventa-se e produz-se de tudo: animais como matéria prima para vários produtos, manufaturados ali mesmo (queijos, massas, embutidos e tantos outros), além de produtos de origem vegetal prontos para venda ou então servindo também como base, além de artesanatos; todos, alicerçando agroindústria familiar.

Dulciana Sachetti - Estudante de jornalismo da UPF

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